03/05/17

Três Histórias Desenhadas de Almada Negreiros


"Isto de ser moderno é como ser elegante: não é uma maneira de vestir mas sim uma maneira de ser. Ser moderno não é fazer a caligrafia moderna, é ser o legítimo descobridor da novidade."
Almada Negreiros, conferência O Desenho, Madrid 1927 

José de Almada Negreiros: uma maneira de ser moderno é uma exposição antológica, patente na Fundação Calouste Gulbenkian até 5 de Junho, que mostra a obra de Almada Negreiros (1893-1970), um artista impar na cena nacional que catalisou a vanguarda artística dos anos de 1910 e afirmou uma presença forte na arte ao longo do século XX, pondo em prática uma concepção heteróclita do artista moderno, desdobrado por múltiplos ofícios. Toda a arte, nas suas várias formas, seria, para Almada, uma parte do «espectáculo» que o artista teria por missão apresentar perante o público, fazendo de cada obra, gesto ou atitude um meio de dar a ver uma ideia total de modernidade.

Um dos núcleos da exposição é dedicado ao Cinema, ao humor e à narrativa gráfica e aqui, entre muitos outros, podem ser apreciados os desenhos originais a tinta-da-china de três histórias de Almada Negreiros, publicadas em 1926 no Sempre Fixe: Era Uma Vez, O Sonho de Pechalim e A Menina Serpente, que não chegou a completar.


O Sempre Fixe foi um semanário humorístico surgido a 13 de Maio de 1926, dirigido por Pedro Bordalo, sendo propriedade do Diário de Lisboa. Embora nos limites impostos pelo carácter humorístico e popular da publicação, o semanário abriu as suas páginas a uma série de artistas que evoluem na esfera do modernismo português, tais como Stuart Carvalhais, Jorge Barradas, Bernardo Marques e Almada Negreiros. Entre Maio de 1926 e Julho de 1935, além destas três historietas infantis ilustradas, Almada publica ali mais 119 desenhos.

Essas narrativas gráficas foram agora compiladas pela Assírio & Alvim sob o título Três Histórias Desenhadas, numa edição realizada, na sua maioria, a partir dos desenhos originais presentes no espólio do artista, sendo completada com os textos e desenhos extraídos da edição de 1926.


Refere Sara Afonso Ferreira, que trabalha a obra de Almada para a Assírio e já escreveu livros sobre ele, no prefácio a esta edição, "[…] o autor confecciona ao longo dos anos uma série de caderninhos, geralmente em harmónio, por ele manuscritos e ilustrados dedicados ao estudo do número e da geometria. No entanto, ao apresentar desta forma os desenhos destinados à publicação de uma história aos quadradinhos num jornal, sem acompanhar os desenhos originais do texto do seu conto (de que apenas temos a versão do "Sempre Fixe"), Almada sugere a importância das imagens como veículo da narrativa — a segunda história publicada no "Sempre Fixe", "O Sonho de Pechalim", apresenta-se, aliás, sem qualquer texto (as legendas deviam ser redigidas pelos pequenos leitores no âmbito de um concurso infantil) — que as histórias podem ser contadas apenas por desenhos, que as histórias podem ser: desenhadas." 

Três Histórias Desenhadas 
José de Almada Negreiros
200 págs., capa dura, 18,7 x 12,8 cm
ISBN: 978-972-37-1948-2
€15,50
Assírio & Alvim, Fevereiro 2017 

Era Uma Vez 
Sempre Fixe nº 3 (27 de Maio) ao nº 10 (15 de Julho) 
O Sonho de Pechalim 
Sempre Fixe nº 3 (22 de Julho) ao nº 17 (2 de Setembro) 
A Menina Serpente 
Sempre Fixe nº 19 (16 de Setembro) ao nº 27 (11 de Novembro)

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