05/05/17

Entrevista a José Hartvig de Freitas - parte II


Continua aqui a entrevista com o editor José de Freitas.

G: Podes fazer um resumo das edições planeadas para 2017?

JF: Uma parte do nosso programa editorial é sempre fácil de prever: continuaremos Saga, Southern Bastards, Outcast, Tony Chu, Harrow County, Jessica Jones: Alias, de que sairão 2 volumes de cada, talvez três de Tony Chu; e concluiremos Velvet, [de Ed Brubaker, Steve Epting e Elizabeth Breitweiser] que tem só três volumes no total, ainda no mês de Maio.

Quanto a séries novas, posso confirmar Wytches, de Scott Snyder e Jock, que sairá num só volume completo, ainda antes do verão. Teremos também um programa de lançamentos Marvel razoavelmente sustentado, com séries co-editadas com os nossos colegas polacos - Immortal Iron Fist de Ed Brubaker, e Uncanny X-Force de Rick Remender, por exemplo - mas também alguns títulos numa linha mais de livros “de autor” (e de autores “nossos”) só para Portugal: este ano, Homem-Aranha: Exposição Negativa, de Brian K. Vaughan ou Thor: Os Últimos Dias de Midgard, de Jason Aaron (ambos argumentistas do catálogo da G.Floy); estes livros, possivelmente acompanhados do Rocket Raccoon desenhado por Jorge Coelho, servirão de teste para um plano de lançamentos Marvel mais alargado em 2018.

Immortal Iron Fist por Ed Brubaker, Matt Fraction, Travel Foreman e David Aja
Rocket Raccoon por Matthew Rosenberg, Jorge Coelho e Antonio Fabela
Para além disso, já anunciámos algumas séries adicionais: The Wicked + The Divine, do Kieron Gillen; The Goddamned, do Jason Aaron; e os livros da “Millarworld”, de Mark Millar, de que a primeira vaga incluirá Jupiter´s Legacy, Jupiter's Circle, Empress, Secret Service e MPH. E finalmente, três ou quatro lançamentos mais na área do romance gráfico, dos quais o primeiro será A Leoa, de Pandolfo e Risbjerg, a mesma dupla que produziu O Astrágalo, que é uma biografia em BD da Karen Blixen, a autora de Out of Africa, desta vez será um álbum a cores, de um grafismo notável, que será lançado em Beja com a presença dos autores; e o segundo, a adaptação a banda desenhada de Afirma Pereira, de Antonio Tabbucchi, pelo Pierre-Henry Gomont [primeira ilustração], lá para a Amadora. E os nossos primeiros livros de autores portugueses, de que estão neste momento anunciados já dois: Cidades, o primeiro de uma colecção de antologias de histórias curtas de autores do The Lisbon Studio, e Hanuram: O Dourado, um álbum de Ricardo Venâncio.

Velvet por Ed Brubaker, Steve Epting e Elizabeth Breitweiser
A Leoa por Anne-Caroline Pandolfo e Terkel Risbjerg
Hanuram: O Dourado por Ricardo Venâncio
G: O que andas a ler?

JF: Acabei de ler o volume 2 de Le Rapport de Broddeck, do Manu Larcenet, e toda a fase do Demolidor do Ed Brubaker; bizarramente, estou a ler, totalmente por acidente, as integrais de Felix, do Maurice Tilleieux, um clássico da BD franco-belga (apareceu cá via um amigo), material com que normalmente não estou muito familiarizado. Falar das minhas leituras de BD é sempre falar daquilo que ando a ler para futuros projectos, quer na G.Floy, quer na Levoir, e por isso às vezes sinto que não devo adiantar mais, porque seria entrar em “segredos”! 

Como sou um notório subversivo, andei por estes dias a reler o Living in the End Times, do Zizek, que me pareceu adequado para a época que vivemos; e ofereceram-me um romance francês que ganhou um prémio nacional, Le Dernier des Nôtres, um daqueles grandes romances semi-históricos contemporâneos, que atravessa as décadas de 40 a 60, que estou quase a acabar. 

G: Refere seis edições ou séries de BD que tenham marcado o teu percurso

JF: Des caïmans dans la rizière, da série Bruno Brazil. Porque tinha 12 ou 13 anos, e pela primeira vez vi um autor matar uma das suas personagens “ao vivo e a cores”, foi um choque tremendo (que só piorou quando saiu o último álbum da série, Quitte ou Double por Alak 6, onde a equipa do Comando Caimão é massacrada), até porque o Big Boy era uma personagem da qual eu gostava bastante. 

Spider-Man #121-122, que eu li na mesma época, quando tinha 12 ou 13, nas edições a preto e branco da EBAL, e que com a morte da Gwen Stacy marcou também um ponto de viragem nos meus gostos de BD, e que iniciou a minha preferência pelos comics americanos (embora já fosse fã de super-heróis antes, esta história marcou pela sua “seriedade”). 

L'Incal, que eu acompanhei na revista Métal Hurlant, quando tinha 17 ou 18, e que completou o meu corte com a BD franco-belga mais clássica, e uma certa perda de interesse pelas séries que tinha adorado na minha infância, que de repente me pareceram insonsas e muito “certinhas”. 

Batman: Ano Um, que eu incrivelmente não tinha lido na época em que saiu, e que o ao ler pela primeira vez, já no tempo em que trabalhava na Devir e tínhamos começado a editar comics (da Marvel) me levou a querer virar o plano editorial em direcção à DC e a histórias mais auto-contidas e de maior qualidade. 

Demolidor Renascido, pelas mesmas razões, que me foi apresentado pelo João Miguel Lameiras quando já trabalhávamos juntos, e que continuo a achar a melhor história de “super-heróis” de sempre. 

Top 10, do Alan Moore e do Gene Ha, porque sim. Deve ser o livro do Moore que me dá mais gozo ler. Quando ele se propõe contar uma história que seja primariamente entretenimento (e não mensagem, por exemplo), mas que a enche de pormenores inteligentes e de subversões de género, é o melhor no que faz. Embora o Planetary não esteja muito atrás, nessa categoria.



 

3 comentários:

  1. Grande Zé. Enorme Hartvig. O que falar de Jose de Freitas? NO Coments.

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  2. Boa entrevista mas nao fala do miracleman?!

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    1. Boas, pois! Nem sempre me lembro de tudo! Já são demasiadas coisas. O segundo volume de Miracleman, já do Neil Gaiman, tem data de lançamento agendada para setembro.

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