23/05/17

A Arte de Autor edita Corto Maltese


A editora Arte de Autor continua, e bem, a apostar na edição de autores italianos clássicos. Depois de uma das melhores obras de Milo Manara, O Rei Macaco, em parceria com Silverio Pisu; e de Serpieri com a juvenil Druuna ( e esqueçam o Anima, exercício supérfluo e unicamente comercial), chega agora a vez de A Balada do Mar Salgado, obra maior de Hugo Pratt, e que deu inicio às deambulações do marinheiro anarquista Corto Maltese.

Esta edição, limitada a 1000 exemplares, a preto e branco, capa dura, com prefácio de Umberto Eco e caderno introdutório com aguarelas a cores, é comemorativa dos 50 anos passados sobre o início da publicação de Una ballata del mare salato no nº 1 da italiana Sgt. Kirk, em Julho de 1967.

Do press release da editora:

“Sou o Oceano Pacífico e sou o Maior. É assim que me chamam há já muito tempo, embora não seja verdade que eu seja sempre pacífico”.

É com esta frase que começa A BALADA DO MAR SALGADO, a obra onde surge pela primeira vez Corto Maltese.

Estamos a 1 de Novembro de 1913, quando algures no Pacífico, entre o meridiano 155º e o paralelo 6º Sul, os primos Pandora e Cain Groovesnore são resgatados como únicos sobreviventes do naufrágio do navio “A Jovem de Amesterdão”.

O catamarã que os resgata, tripulado por nativos, é comandado por um estranho e rude homem branco, de longas barbas e olhar sombrio a quem chamam Rasputine. Este aceita manter os dois jovens a bordo pois, aparentando pertencer a famílias abastadas, acredita que  poderão valer-lhe um avultado resgate.

Mas no seu trajecto rumo a Kaiserine, o catamarã  fará outro estranho encontro com alguém à deriva. Trata-se de Corto Maltese, um velho conhecido de Rasputine e do Monge, amarrado a uma jangada e lançado ao mar por uma tripulação amotinada.

Corto é um marinheiro sem pátria, um aventureiro que não se fixa a um território nem defende outras ideologias a não ser as suas. O barco em que navegava encalhara há alguns anos na ilha do “monge”, e ele acabou por estabelecer uma ligação à enigmática figura encapuzada. Mas embora se movimente no seio de um grupo de piratas, Corto tem um código de conduta e de honra muito próprios, que por várias vezes o oporão a Rasputine.  

A Balada do Mar Salgado, Argumento e Desenho: Hugo Pratt, 184 págs., p/b e cores, capa dura, €26,95, ISBN: 978-989-99674-6-5, Arte de Autor, Maio 2017



Assinala-se também a publicação de Sob o Sol da Meia Noite, álbum de 2015 com argumento de Juan Díaz Canales e desenhos de Ruben Pellejero , que pretende (de forma bastante discutível) continuar as aventuras de Corto Maltese sob a matriz de Pratt, aqui numa primeira edição a cores.

Sob o sol da meia noite 
Argumento: Juan Díaz Canales
Desenho: Rúben Pellejero
88 págs., cor, capa dura, €18,65
ISBN: 978-989-99674-7-2
Arte de Autor, Maio 2017

Agora é esperar a vez do Buzzelli, do Crepax, do Battaglia, do Micheluzzi...

 

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