06/11/16

27º Amadora - Festival Internacional de BD

Marco Mendes


O 27º Amadora - Festival Internacional de BD que, segundo a sua organização, a Câmara Municipal da Amadora “é o principal acontecimento do panorama bedéfilo nacional e um dos mais importantes eventos dedicados à 9ª Arte, a nível europeu.” (ainda a confirmar…), é subordinado este ano ao tema O Espaço e o Tempo na Banda Desenhada. Começou no dia 21 de Outubro e segue até este Domingo, dia 6 de Outubro, em vários espaços culturais da cidade. O núcleo de programação central é no Fórum Luís de Camões, espaço com “…diferentes áreas expositivas, áreas dedicadas a workshops, conferências, debates, sessões de autógrafos, uma feira do livro com programação dedicada a lançamentos e promoção do mercado editorial, entre outras actividades paralelas, dirigidas a todas as idades: crianças, jovens, adultos e famílias.”.


O cartaz deste ano foi criado tendo como base uma excelente pintura de Marco Mendes, autor em destaque e um dos melhores a nível internacional.

A exposição central, Espaço, Tempo e Banda Desenhada, é comissariada por Eduardo Côrte-Real e Susana Oliveira, e explora os conceitos do Tempo e do Espaço na Banda Desenhada e a sua relação com outras artes, em particular com a Arquitectura e o Cinema.

A partir da obra de três autores - Hergé, Hugo Pratt e Moebius - a exposição organiza-se em torno da ideia de Casa, Lugar, Cidade e Mundo, usando a Elipse como caixa de velocidades dessa viagem do princípio ao fim e ao recomeço das histórias.

Das restantes exposições no Fórum Luís de Camões, destacam-se:

Zombie de Marco Mendes

Zombie é a exposição dedicada ao Melhor Álbum Português de 2015. Escrito e desenhado por Marco Mendes e publicado pela Turbina e a Mundo Fantasma, este álbum foi a primeira narrativa de fôlego do autor, uma história que acompanha episódios familiares do protagonista, entre o presente e a memória, que decorrem numa vida urbana marcada pelas deambulações sem rumo, pela precariedade (também laboral, tema muito presente nesta obra), pela reflexão sobre a sociedade e a comunidade que vamos construindo ou vendo construir. 

Papá em África, de Anton Kannemeyer

Papá em África, de Anton Kannemeyer, foi o Melhor Álbum de Autor Estrangeiro em 2015. Publicado pela MMMNNNRRRG, vemos aqui as leituras das histórias de Tintin por Kannemeyer, autor sul-africano que ainda conheceu o apartheid do lado de quem dominava. São histórias curtas publicadas na revista Bitterkomix, todas empurrando a leitura para uma reflexão – dura, mas essencial – sobre o modo como nos relacionamos com os outros e o papel que o poder assume nessas relações.

Erzsébet, de Nunsky, álbum premiado em 2015 com o Melhor Desenho para Álbum Português, e publicado pela Chili com Carne, marcou o regresso em grande do autor que tem obra publicada em diversos números da Mesinha de Cabeceira: #4, 7, 8, no #13 com 88 – entretanto tornar-se vocalista da banda psychobilly The ID's cujo o destino é desconhecido - e mais recentemente Nadja, Ninfeta Virgem do Inferno no #27. Com uma expressividade gráfica a lembrar o Charles Burns, neste Erzsébet é contada a história de Erzsébet Bathory, a condessa húngara a quem são atribuídos centenas de crimes que lhe granjearam alcunhas como a Condessa sanguinária. Por detrás do seu rosto pálido, de olhar impassível e melancólico ocultava-se o próprio demónio, Ördög.

Espaço, Tempo e Banda Desenhada

Outras exposições: Crumbs, Coletivo de Autores; Lucky Luke, 70 Anos; Democracia, de Alecos Papadatos e Abraham Kawa; Tex e a BD, de Pasquale Frisenda; Daqui Ningém Passa, de Bernardo Carvalho; O Tempo do Gigante, de Carmen Chica e Manuel Marsol; Volta - o Segredo do Vale das Sombras, de André Oliveira e André Caetano; Loki – Agent of Asgard #6, de Al Ewing e Jorge Coelho; Concursos Nacionais de BD e Cartoon; Concurso Municipal de BD e Ilustração; Ano Editorial Português.

Na Bedeteca (Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos — Galeria Piso 2) e até dia 10 de Dezembro, encontra-se uma exposição a não perder: Ferozes Transparências: Underground Comix, uma Coleção de Glenn Bray.

Comissariada por Pedro Moura, esta exposição mostra a arte original da coleção privada de Glenn Brey, que foi testemunha e impulsionador do movimento underground comix - um dos mais importantes capítulos da história da banda desenhada moderna norte-americana, que seria decisiva nas transformações de cariz social desta arte naquele país e que se revelaria influente além fronteiras. A exposição contém trabalhos de Bill Griffith, Bobby London, Gilbert Sheldon, Jay Lynch, Jim Osborne, Justin Green, Kim Deitch, Spain Rodriguez, Rick Griffin, Robert Crumb, Ron Cobb, Rory Hayes e S. Clay Wilson, dando a conhecer algumas das publicações da época, antologias e retrospectivas, assim como os poucos títulos portugueses que editaram alguns desses trabalhos.

Coleção Privada de BD de Rico Sequeira é a exposição patente na Galeria Municipal Artur Bual e apresenta a colecção particular de banda desenhada do artista plástico Rico Sequeira da qual fazem parte pranchas originais de vários autores norte-americanos e europeus. Flash Gordon, Félix The Cat, Batman, Anita Diminuta e Superman constituem alguns dos nomes presentes. Na exposição, irão ainda ser apresentadas algumas esculturas do artista da série “onomatopeias”, obras essas que cruzam os universos da BD, do grafismo e da escultura.

Outras exposições: Limites da Paisagem e Flor de Água: Helena Roque Gameiro (1895-1986) na Casa Roque Gameiro; 10x10, de Richard Câmara na Casa da Cerca.